terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

AMANHA É UM DIA D PARA O EURO

Amanha é o prazo final para a Grécia chegar a um acordo com o Banco Central Europeu que lhe permita um novo empréstimo ponte para rolar sua dívida.  No momento temos um impasse entre o novo governo grego e a Alemanha. O primeiro quer ajuda e ao mesmo tempo adiar, ou mesmo abandonar, medidas de ajustes estruturais (cortes de salários e aposentadorias, privatizações, cortes de gastos, etc.) já acordadas com o BCE e FMI. A Alemanha aceita ajudar desde que os acordos prévios sejam cumpridos. Alem disso o governo grego que renegociar sua divida trocando os atuais títulos de divida por novos que condicionem seu pagamento ao crescimento da economia.

A situação é muito difícil. Por um lado todos sabem que a divida da Grécia, superior a 170% do PIB, é impagável no curto prazo e que os custos do ajuste tem sido altíssimos para a sociedade. Por outro temos um país que tem recebido ajuda significativa nos últimos anos, que pactuou acordos e contratos e que precisa fazer reformas para ter uma economia minimamente viável dentro do Euro.

Como evitar que uma vez que a Grécia teve a oportunidade de renegociar contratos outros países como Irlanda e Portugal também não tenham essa possibilidade? Como justificar que reformas sejam demandadas em alguns países e adiadas na Grécia? Como evitar o risco de validar plataformas políticas inviáveis, mas com grande apelo eleitoral (estelionato eleitoral)? Como justificar para o contribuinte alemão que ele, que fez o ajuste e aceitou salários congelados no inicio do Euro, vai pagar a conta do contribuinte grego que não fez o ajuste e teve aumentos salariais? Como evitar uma crise de corrida aos bancos na Grécia fomentada pelo receio de depósitos em Euro serem transformados em moeda local como aconteceu com a Argentina?


O grande economista Rudiger Dornbusch tem uma frase muito apropriada para o momento da Grécia: “a crise leva uma eternidade para chegar, mas então precisa apenas de uma noite para acontecer”. Que amanha não seja essa noite na Grécia.





segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O DESAFIO DA POLITICA FISCAL

Se na política monetária a meta é a inflação e o instrumento a taxa de juros, na política fiscal a meta é a dívida pública e o instrumento o resultado primário das contas do governo. Assim a meta anunciada de ter um superávit primário de 1,2% do PIB tem haver com uma meta de dívida pública.
A dinâmica da divida publica é definida pela seguinte fórmula:

Z = (i – x) d + dp
Z = derivada da divida (d) em relação ao tempo
i = taxa de juros reais da divida
x = taxa de crescimento da economia
d = nível atual da dívida
dp = déficit primário das contas públicas

A dívida pública bruta do Brasil encerrou 2014 em 65% do PIB, um valor bem mais elevado que países em mesmo estagio de desenvolvimento e acima do limite prudencial referenciado na literatura empírica de 60%. Ou seja, é importante que o governo inicie uma trajetória de queda da mesma. Infelizmente isso não vai acontecer.
Como o governo anunciou uma meta de superávit primário de 1,2% do PIB a divida só pararia de crescer se a diferença entre o juro real e o crescimento da economia ficasse em 2%. Esse cenário é praticamente impossível já que hoje temos um juro real na casa dos 6% e a perspectiva mais otimista de crescimento da economia não supera 1%.


Para complicar perceba que toda vez que o governo sobe a taxa selic para combater a inflação ele eleva o juro real. Com isso o diferencial acima mencionado aumenta e piora a dinâmica da dívida.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO

Temos colocado que o fim do projeto da refinaria abre uma janela, espero que promissora, para o desenho de uma nova estratégia de desenvolvimento para o estado. Uma boa estratégia jamais deve ser feita na base da intuição ou senso comum. Ela deve ser baseada em uma reflexão cuidadosa  e deve considerar o contexto global de um mundo cada vez mais integrado.

O gráfico abaixo é um exemplo de análise que deve ser feita no sentido de pensar o Ceara de maneira global. O ponto é que nesse caso o Ceará, diferente do Brasil, pode ser enquadrado como uma economia de pequena população mais com boa posição em relação aos mercados consumidores globais. Sua estratégia de desenvolvimento não precisa dessa forma replicar a do Brasil.





quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

TAMANHO DO GOVERNO

Em tempos de inicio de novas administrações estaduais são frequentes reformas administrativas. Uma reforma administrativa sempre tem duas componentes: a política e a técnica. Não nos cabe comentar sobre a componente política.
Do ponto de vista técnico uma reforma administrativa só se justifica se for para tornar o governo mais eficiente e mais efetivo. O primeiro significa ter um governo que faz mais com menos. O segundo significa ter um governo que entrega resultados e não apenas obras. Essa é a essência da proposta de ter um governo que pratica Gestão para Resultados (GPR).
Tendo experiência de governo e sendo consultor do Banco Mundial e do BID nessa área posso afirmar que no Brasil de hoje muitos governos dizem que tem GPR, porém poucos efetivamente a praticam.
A Crise fiscal em que o Brasil se encontra trouxe a tona um assunto relevante: o tamanho do governo. Na verdade a questão relevante não é o tamanho, mas o que o governo gera em retorno ao seu financiamento pelo contribuinte. O gráfico que apresentamos abaixo fornece um parâmetro para análise.
O gráfico mostra uma medida de efetividade dos governos estaduais que é a quantidade (valor) do PIB que é gerado por unidade de órgão (secretarias, empresas publicas, fundações, etc.) público existente.
Os dados mostram que o governo do Ceará pode, e deve procurar ser mais efetivo. Na média, cada órgão público do Ceara gera 1,4 bilhões de Reais de PIB enquanto que em Goiás essa relação é de 4,0 bilhões.
Um argumento para justificar os dados é que os governos são grandes porque os estados são pobres e precisam de mais ajuda principalmente a população mais pobre. Aqui a questão relevante é qualificar bem o que se define por ajuda, para quem vai essa ajuda e quem paga essa ajuda. Esse ponto será tratado em um post seguinte.







quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

REFINARIA: JÁ QUE NÃO TROUXE A MAX QUE LEVE A MINI

A decisão da Petrobras de não trazer a refinaria max (premium) para o Ceará é fato consumado. O estado tem todo o direito de protestar e exigir ressarcimentos pelos investimentos já realizados. Ele pode, no entanto, fazer mais. Deve exigir de forma definitiva que a Petrobras transfira a mini refinaria que mantém no porto do Mucuripe.
A transferência da mini refinaria para o Pecém, ante de mais nada, corrigiria uma aberração em termos de segurança que é ter uma refinaria em uma área urbana densamente povoada.
O ganho maior seria o econômico, pois a transferência da refinaria e do parque de tancagem associado a ela abriria espaço para o desenvolvimento de uma área urbana super nobre.
Essa área esta localizada em um dos locais mais bonitos de Fortaleza, já dispõe de boa infraestrutura urbana, inclusive de mobilidade com o futuro VLT, tem apelo histórico cultural com o farol do Mucuripe e esta conectada com o novo terminal de passageiros do porto. Tem tudo para ser explorada como um polo de hotelaria e de serviços.
No que tange a serviços é uma área bastante próxima dos terminais de chegada dos cabos submarinos de comunicação que ligam o Brasil com a Europa e Estados Unidos, podendo se transformar em polo de serviços digitais de primeira linha. Um planejamento urbano do tipo do que esta fazendo o Rio de Janeiro com o “Porto Maravilha” pode viabilizar um polo de espaços comerciais, de serviços e de lazer.

Em resumo, já que a Petrobras não quer ajudar no nosso desenvolvimento que ela deixe de atrapalhar.


PORTO MARAVILHA - RIO



MUCURIPE MARAVILHA - FORTALEZA ?
 


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

IME NORDESTE

No post anterior mencionei o exemplo de Nova York que esta investindo em um polo de tecnologia e empreendedorismo a partir da atração de uma filial da Universidade de Cornell. O novo campus vai ficar localizado em uma área nobre da cidade que é a Ilha Roosevelt. A cidade percebeu que não podia ficar dependente do setor financeiro e de turismo para continuar crescendo e resolveu inovar. Percebeu que para inovar e criar novos negócios precisava atrair e fazer interagir com a população local pessoas de talento, estudantes brilhantes, pesquisadores e empreendedores. Esse é o conceito de inovação aberta. Para tal o caminho foi atrair um centro de pesquisa e ensino de primeira linha oferecendo incentivos de infraestrutura e, é claro, a atratividade da cidade.
Por que Fortaleza não pode fazer algo parecido? Por que não tentar negociar com o Exército a instalação na área super nobre, hoje subutilizada, do 23º BC no Benfica, de uma filial do Instituto Militar de Engenharia- IME?
De acordo com reportagem do Jornal Valor Econômico o Exército tem projeto de transferir o conceituado IME para Guaratiba no Rio de Janeiro e investir no conceito de inovação aberta. Não seria esse o momento de conversar e propor o IME Nordeste em Fortaleza?
Nas palavras do próprio Exército:
"Nosso objetivo é dar uma nova dinâmica ao sistema de ciência e tecnologia do Exército, aumentado a sua capacidade de interagir com as empresas brasileiras", disse o coronel Álvaro Pereira da Silva, assessor especial do comandante do Exército na área de tecnologia, general Enzo Martins Peri.”
A inovação aberta (desenvolvimento feito em colaboração entre a indústria, o governo e a academia) poderá ser aplicada de forma mais eficaz no polo de Guaratiba, onde já está presente o Centro Tecnológico e o Centro de Avaliação do Exército, e, em breve, o Instituto militar de Engenharia (IME), segundo o coronel Silva. "Estamos criando em Guaratiba uma sinergia semelhante à que existe na Suécia em relação a inovação aberta", afirmou.



O IME Nordeste seria o empreendimento ancora de um polo de tecnologia aberta votado para inovação inclusiva nas áreas de construção civil, materiais, energia limpa, mobilidade urbana, comunicação, design, software, etc.

Não adianta: ou ousamos e inovamos ou vamos continuar sendo apenas uma cidade simpática, ou criamos novos negócios e riqueza ou vamos continuar sendo uma cidade de elevada dívida social.


                                                                     IME Rio de Janeiro



IME Fortaleza?



















REFINARIA DO SABER

O competente Eliomar de Lima cunhou um termo interessante no atual debate sobre a refinaria: “refinaria do saber”.
A refinaria do saber seria um contraponto a refinaria do petróleo.  Não são projetos excludentes de maneira que podem co-existir. Infelizmente a refinaria do saber não tem despertado a atenção e interesse dos governantes, políticos e empresários.
Podemos definir a refinaria do saber como um pólo formado por um centro de pesquisa e ensino de ponta associado a um parque tecnológico.
Na refinaria do saber os insumos são jovens talentosos e pesquisadores que o ceara têm em abundancia. Na refinaria do petróleo os insumos são óleo, máquinas e equipamentos que o ceará não possui. Na refinaria do petróleo os produtos principais são gasolina e óleo diesel, na refinaria do saber são inovação e empreendedorismo. A refinaria do petróleo é poluente, pois é movida a carvão, a do saber vai ajudar a limpar o meio ambiente, pois vai desenvolver novas tecnologias. A refinaria do saber vai gerar um grande numero de pequenas e médias empresas de base tecnológica, a do petróleo dificilmente vai gerar um grande pólo petroquímico.
Para os que acham que isso é ilusão e teoria veja o exemplo de Nova York. A cidade recentemente destinou um de seus últimos espaços nobre, a Ilha Roosevelt, para criar o Cornell NYC Tech. Um novo campus da Universidade de Cornell, encravado e integrado a cidade para o desenvolvimento de riqueza na era digital. A cidade entra com parte da infra-estrutura, algo como 200 milhões de Dólares, e a universidade com 2 bilhões de investimentos para criar um complexo de ensino, pesquisa e empreendedorismo.
Certamente não somos Nova York mais também não somos Angola para concentrar nosso desenvolvimento em petróleo e refinaria.

CORNELL NYC TECH